11 de junho de 2012

De mim ... Para Álvaro de Campos

O que é a vida senão um dominó sem planos?
O que é um dominó senão duas faces do mesmo cinzento?
O que é a vida sem quem nós amamos?
Sem tudo aquilo que nos trás alento?
Ao olhar ao espelho sei que vi
Não quem eu era, mas sim parte de mim
Tentei tirar a mascara, mas não conseguia
Porque ao tentar vi que tudo me cobria
Puxei, rasguei e enquanto a arrancava
Sentia que consigo os meus restos levava
A amargura cobrou-me o preço da minha fantasia
Constatei não ter sido eu até aquele dia
Quebrantado de me ser soltado da minha corrente
Quase sem esperanças segui em frente...
Segui e por fim foi diferente
A ferida tardia de si sarou
E de repente...
Completei-me com quem me recuperou

15 de abril de 2012

Dead memories in my heart, dead fingers in my veins

Trabalho, pintado a tons de cinzento... Cada nuvem do outro lado da janela, pedaço do cubículo em que me instalo, o meu próprio pólo tem essa apagada tonalidade e a minha função tende a deixa-la vincada nos traços pessoais de quem a exerce. Mas nunca encontraram ninguém tão vermelho antes.
Nos tempos quentes em que o ar secava a boca, o refresco que ingeria era a mesma sede com que estávamos. Um exército vermelho com sede. Sede de mais, até mesmo sede a mais para apenas nós. Daí ter passado tudo tão rápido, menos a sede.
Ver o nascer e o por do sol separados por um piscar de olhos, todo o entre tanto era sede saciada e, quando a noite caía, a vontade era outra, apenas o vermelho permanecia.
Hoje tudo em mim contrasta com esta mascara apagada. O vermelho do sangue que corre em mortas veias, a ideia que habita a mente dormente, o silêncio quebrado pelo tom e a garra de um grito de fúria. A luta e o contraste entre o Eu e o Mundo. Lindo.
O Nosso tempo já foi, mas as lembranças vivem e nós vivemos com elas. Vivendo, pisando as cinzas do chão já gasto e deixando aquela marca tão Nossa nelas. A marca de toda a nossa sede de Mais, do sangue e da vida que transbordamos.

A marca dos BAE.

24 de fevereiro de 2011

Inspiração

Não te tratarei por voçê. Não faço também a minima ideia se queres que te trate por tu ou se tens algum titulo como prefixo do teu subjectivo... Que subjectivamente para mim se torçeu formando um adjectivo da minha identidade.
Serás tu eu? Ou serás alheia a mim? Entre estes anos de escassa convivência e partilha... Serei eu que te possuo ou tu que me iluminas?
Antigamente corriam boatos de que os grandes autores tinham a visita de um Ser invisivel, Ser esse que lhes confiava segredos acima da compreensão humana que entendiam por bem serem revelados. Não atribuindo assim o mérito total de uma grande criação a um mortal mas, se fosse um fiasco, não teria ele completa culpa pois apenas transcreveu o que o Ser lhe indicou... A culpa seria do Ser, poderia ser que estivesse menos "sóbrio". Quem sabe?
Hoje em dia, tudo mudou. A inspiração é do Homem! A ideia foi dele, o trabalho é seu e toda a fama e reconhecimento que possam advir da sua obra será sua (tal como a megalomania que irá desenvolver). Mas, se a sua tentativa for infurtivera? Toda a desgraça irá cair sobre ele.
Será então correcto deixar tal responsabilidade a cargo de um ser tão vulnerável? Não terás tu Inspiração sido submetida à banalização que o tempo te trouxe? O Homem nunca foi em toda a sua História um ser fiável. Nem para o planeta que se dá ao luxo de habitar, nem para o seu semelhante, nem para si próprio. Julgo que nada mais errado é do que te deixar cair nas mãos do Homem e aos seus infames caprichos.
Pessoalmente, julgo não vir de mim aquilo que escrevo. Passa por mim admito, mas não é meu... Transcende-me desde o momento em que não tenho de pensar sobre ter de escrever "alguma coisa" pois, quando menos espero, vem-me à cabeça uma palavra que implora ser explorada, e enquanto a transcrevo surge-me uma frase, sequêncialmente um paragrafo... Quando dou por mim tenho um texto escrito de improviso em que apenas terei de efectuar alguns ajustes com o tempo.
E como exemplo... Te dou isto... Que não sei sequer o que escrevi desta linha para cima. Deixei simplesmente os dedos pular em cima do teclado.

18 de fevereiro de 2011

Sangue

Escuto o já prolongado grito em surdina do vento nocturno. Este que no relento das minhas próprias mágoas se mantém imperialmente inalterável.
Miro o céu de tão farto da terra que me sinto, já disfarçando a pouca ou quase nenhuma vida que por lágrimas secas há muito tempo, gradualmente há muito se desvaneceu do meu rosto. Ao alto consigo ter vislumbres o que me lembra ter sido a amiga que outrora tratei por Lua, essa que com interminável paciência esteve todas as noites presente para que lhe confidênciasse o meu mais guardado intímo mas, esta noite, não mais era do que um astro no alto do infinito maior que outros tantos.
No chão, o vento me adormecia os sentidos pois empurrava até mim o frio típico de uma noite de fim de Janeiro. Mantendo o passo e cerrando os dentes, meti as mãos aos bolsos gastos das calças e segui em frente até a um pequeno recanto escuro, abrigado e escondido na  rua que, a esta hora não mais tem do que um triste amargurado cagueando sob a luz amarelada dos candeeiros.
Acendo um cigarro na vã tentativa de que o satisfazer do vício consiga aquecer-me ou acalmar o turbilhão de amargura e nervosismo que espelham o meu semblante abatido, escusando um disfarce ingido de alegria tão próprio de mim que, de um modo semi-masoquista, me convenci que em verdade a vivera em pleno. Mas mentira a mim mesmo novamente e, agora que não conseguira compactuar mais com a minha pessoa havia mergulhado de cabeça  na mágoa que havia evitado há muito tempo.
Um espírito vagabundo. Sim, pois não sentia mais o corpo devido à dormência em que me encontrava e meu nome não mais passava do que de um som igual a outros tantos barulhos nocturnos. Esperava somente por um sopro de vida que fosse embater contra mim e me desse o minimo alento para retomar a minha interrompida existênci, algo que fizesse sentido por entre tanta ponta solta... Mas tudo era tão vago quanto a brisa gelada de inverno que soprava nessa noite.
E foi aí que sangrei, me abati e me deixei definhar sem oferecer resistência a este capricho. Perscutando o fim do que outrora tinha sido eu, adimirando a gota que se formava engravidando em seguida de si mesma e escorrendo, dando lugar a outras tantas que se seguiram. Consentindo a aflição final e a comiseração do Ser. Ao dar por mim...
Estava chorando por fim de cara lavada a morte de uma alma que fantasiou ser ela e o tardio despertar da dura realidade sempre negada.

3 de fevereiro de 2011

O sufoco

Sem ti hoje. Mais um dia entre tantos iguais. Outro semelhante que servirá para juntar à já vasta lista de dias corridos em loucura desde a tua partida.
Como me sinto? Eis uma questão que sinceramente gostaria de saber responder a mim próprio. O amor que ainda me resta por ti, em toda a sua imensidão, destrói a pouco e pouco a minha já muito reduzida sanidade mental. Não consigo fugir à tua memória e a todas as lembranças tuas que encontro pelos sentidos. O cheiro, visão, o tacto... Embora não consiga sequer dormir pois sei que serás o motivo dos meus pesadelos, tal como és a infeliz constante do meu pensamento.
Foste-te, nada sei actualmente sobre ti. Será que, por ventura, te lembras minimamente de mim e dos momentos por ambos passados? Arrisco-me por vezes a tentar romper o silêncio que nos impuseste e humilhar-me por uma oportunidade, embora saiba que tive tanta ou tão pouca culpa quanto tu em toda esta história. Mas tremo que nem varas verdes só de ponderar a possibilidade de menosprezares a minha trémula e frágil tentativa de dar um novo alento ao nosso cupido.
Só agora me apercebo de que, como em tão pouco tempo, o Tudo que foi edificado e conquistado a ferro e fogo por ambos se desfez num completo nada como se se tratasse de um castelo de areia. Como fui cego ao ponto de conseguir abstrair-me tanto de mim mesmo até, inclusivamente, substituir a minha vontade pelo teu desejo. Como será então possível que apenas a tua presença me tenha conseguido preencher e, agora que me faltas, noto que me tornei num vazio tão grandioso quanto o apego que ganhei à tua pessoa.
A minha segurançã interior é notória até mesmo aos olhos de um morto. Será que ainda me amas da mesma forma que amavas antes? Como eu te amo! Mas, se me amasses...
Agora que penso nisso, será que algum dia me chegaste a amar de verdade? Ou foram falsas as palavras que me declaraste e apenas consentiste a minha queda na fantasia de um amor que, em verdade, nunca existiu? Não quero acreditar em tal coisa. Seria a maior desilusão que me poderias dar pois, sei que apesar de te descobrir traços divinos, terias descido ao nível de uma reles mentira.
Ao menos quebra o silêncio. Dá-me um motivo para encerrar esta reticência, romper o impasse me prende a ti e me basear numa certeza de uma vez por todas. Mas diz-me o que quer que seja nem que me trates mal! Pode ser que ao revoltar-me com a injustiça das tuas palavras, te ganhe raiva e a aproveite para seguir em frente sozinho. Mostra-me que nunca valeu a pena entregar-me a ti como o fiz, que toda a cumplicidade existente foi unilateral e todo o tempo contigo foi mal gasto... Ou diz que me amas.
Isso! Confessa o teu desejo de inverter esta tortuosa e constangedora situação, confessa-te arrependida de todo este escusado afastamento. Dá-te e dá-nos uma segunda chance. Vem, juro perdoar e esquecer o que tenho sofrido por ti nestes últimos tempos para que, juntos, possamos recriar o nosso mundo de eterno amor e felicidade.
Será que não sou suficientemente válido para ti? Se apontares as minhas falhas poderei melhorar e corrigi-las. reconheço plenamente toda a minha imperfeição e que, por vezes, te possa ter desiludido... Mas já não aguento mais este sufoco.

27 de janeiro de 2011

Vício

O meu vício por ti é tal:

Que um mero olhar me fazia sorrir
Que cada segundo sem ti me esmagou o coração.
Que contei os teus passos ao partir
Que o teu toque me fez despertar
Que tornou a minha vida em arte
Que a tua voz me fez tudo superar
Que me fez saber amar amar-te
Que me cegou a vista de livre vontade
Que chamei o teu nome a todo o momento
Que ao ver a lua desejei a nossa eternidade
Que disfarcei as lágrimas na hora do adeus
Que me fez acreditar no destino
Que por ti, eu reneguei a Deus
Que criou em ti algo de divino
Que o teu sorriso iluminou o meu dia
Que nos uniu fisica e psicologicamente
Que tornaste quente a noite mais fria
Que suprimiste a fome, sono e cansaço.

E que faz com que Tudo continue a valer a pena...
Por ser para ti.

24 de janeiro de 2011

Desconhecido

Não sei…
É a única certeza que alguém pode afirmar em toda a sua vida, é a rendição do Homem ao óbvio, a percepção de tudo o que o rodeia… contudo é apenas uma incerteza!
Não sei... Se
O dia de hoje será igual ao dia de ontem, viverei o suficiente para poder ver o nascer do sol que anuncia o dia de amanhã, nem sequer se o deus que me governa realmente existe, muito menos o que será de mim daqui a um minuto… São estas algumas das coisas às quais nunca terei resposta, apesar de já a ter dado. É a condição de uma frágil peça de dominó prestes a cair devido a um simples sopro caprichoso do vento que todos tentam a muito custo ignorar… Ninguém consegue aperceber-se de que cada segundo é uma vitória, cada minuto uma honra e cada vida uma dádiva. Mas aceito que tudo possa mudar, porque por muito que queira poder impedi-lo já tudo mudou e, em vez de conseguir travar o rumo do destino… Ajudei.
Ninguém há de saber dar o devido valor à vida, ao bom que é nada saber e viver tudo, acabando por morrer sem nada… Quer queiramos quer não…
Somos todos muito fracos para darmos por nós no total desconhecido e aventuramo-nos a tentar fazer uma vida… Qual vida? A que te rodeia, ou a tua? É que escolhas a que escolheres falhaste. Porque nem uma nem outra existem… São apenas a ilusão de um tempo que já passou.
E o que leste? Diz-me tu! Apenas a confirmação de que a tua agenda é inútil? De que todos os teus planos para o futuro não passam de uma miragem prestes a sucumbir aos caprichos do imprevisto tal como tu? Sinceramente não faço ideia… Mas uma coisa eu sei...
Sei que viveste para lê-lo!

Save me

Trata-se de uma antiga letra que escrevi para uma banda de um amigo meu.
Aqui fica


You were the sublime divinity
The wanted key that leads to eternity
Like a fallen angel you used to act
Such perfection made a scar in my heart

Now the scar refuses itself to heal
Infected with the serpent’s poison it is
You really don’t know how you make me feel
And only you can cure me with a blessed kiss

Save me from all this pain
Make it all go away (go)
Never to return again (no)
Kiss me like the old way

When my hands touched your skin
I felt your innocence and purity
In the end, consumed by Satan’s sin
We both lost our virginity

It was the day when heaven fall
God’s fury has spread above us all
The sacred tree has been violated
All mankind is now doomed
And in the end, we will be annihilated

Save me from all this pain
Make it all go away (go)
Never to return again (no)
Kiss me like the old way

Alone in this darkness now I am
My fear I desperately try to hide
The wolves’ owl makes me understand
That I haven’t got a reason to survive!

Proibido

Nunca foste minha
Mas custa-me entregar-te
Proibir-me de te querer
Matar este sentimento que tornaste arte
Este amor...
Calar e sofrer.
Todo o dia
Toda a noite
Me perco no meu lamento
Envolvo-me em sofrimento
Porque,
Neste mundo que deixaste...
Todo o céu é cinzento
Como as cinzas da vida
Que outrora iluminaste
Agora espalhadas pelo vento
Da loucura,
Do desespero e amargura
De alguém que à partida
Nunca pude realmente ter

17 de janeiro de 2011

Confissão

Era tarde, bem tarde.
Lembro-me de que tinha compromissos já marcados, uma ida ao café com amigos para o habitual convivio em que risos e histórias recentes são trocados num clima de lembrança e união. Mas inesperadamente faltei.
Fui ter com Ela. Estava cegamente obstinado em confessar-lhe finalmente o que me consumia o coração. Simplesmente já me tinha tornado incapaz de suster o sentimento que permanecia num secretismo de silêncio absoluto à custa da minha mágoa e agonia. Só eu sei como me custava ve-la de longe e esbocar um sorriso enquanto tudo o que mais queria era poder caminhar o mesmo trilho que ela de mãos entrelacadas, ou mesmo as mensagens que tinha de re-escrever vezes sem conta pois à minima distracção continham palavras proibidas de serem vistas ou escutadas por revelarem em pleno todo o meu afecto.
Enquanto me dirijo para o destino marcado tento controlar o meu nervosismo inspirando lentamente, a pulsação acelerada que me fazia tremer que nem varas verdes e a vergonha do possível não que quase me empurrava novamente para casa e me incentivava a inventar uma qualquer desculpa esfarrapada para adiar este dia. Só que não podia adiar mais. Estava possuido pela imagem do seu sorriso, pela graciosidade do seu minimo gesto e da ternura com que dizia cada uma das suas palavras, autêntica música para os meus ouvidos. A sua imagem assombrava a minha mente, como se de um lembrete amaldiçoado se tratasse, confinando qualquer acontecimento a cinzas pois o que realmente me interessava era Ela.
Murmurando sozinho, tentava rabuscadamente delinear o que teria para lhe dizer ou, não fosse a tempestade de nervos que se tinha abatido em mim, por-me a gaguejar quando tentasse falar.
- Eu... Am... Sabes, é que já não dá hmm... para aguentar. Ok, desculpa. Vou tentar ser directo...
Porra! - Foi a única palavra que consegui dizer sem hesitar e, também, a minha conclusão. Não valia a pena tentar decorar nada para dizer porque simplesmente não estava a conseguir faze-lo.
Ao me aproximar do destino, um café perto de sua casa, tento encontrar a sua silhueta à porta enquanto contrariava os últimos impulsos de receio e constrângimento que toda essa situação me causava. Mas não vi ninguém.
- Ok, Ela não está. Vim beber café sozinho... Mas ao menos evito contar-lhe. - Pensei.
Entrei no café. Ao olhar de esgar para o fundo do salão avistei a sua silhueta. Surpreendentemente ela já lá estava, apesar de me ter confessado antes que provavelmente iria chegar atrasada. Estava sentada numa das mesas mais distantes a beber um fumegante chocolate quente. Ao cumprimentar o empregado de balcão, olhei novamente de relançe para Ela. A sua cara tenramente branca em nada diferia da com que eu sonhava todos os dias. Os seus olhos cor de mel fixavam a sua ternura em mim, o seu cabelo caía-lhe sobre os ombros, moldando-lhe aprimoradamente o rosto e os seus finos lábios revelavam-se uma tentação para os meus, que lhes desejavam há muito tocar.
- Olá, estou aqui! - Nunca tão poucas e doces palavras me fizeram tremer tanto por dentro. Por instantes ressoaram na minha cabeça, abstraindo-me um pouco do momento mas rápidamente me trouxeram à realidade como um choque assim que me dirigi na sua direcção.
Cumprimentei-a na face, inalando o cheiro suave do seu perfume, puxei uma cadeira e sentei-me em frente a ela. Tinha chegado o momento que eu, numa contradição de sentimentos, tinha provocado. Ao sentar-me tinha posto um ponto final na minha jura de partilhar com Ela toda a minha paixão, mesmo que Ela a renegasse.
- Olá. Então tudo bem? - Tinha conseguido ganhar uns segundos para me habituar à ideia e me por mais à vontade perante ela.
- Sim. E contigo? Tudo bem? - Esta simples frase soou como o fim da minha dolorosa contagem decrescente.
- Não. Hoje não está infelizmente...
- Então porquê? Passa-se alguma coisa? - Se não tivesse sido Ela a dize-lo, provavelmente eu teria ironicamente respondido "Não. Eu estou mal porque não se passa rigorosamente nada!". Mas naquele momento saiu-me:
- Passa-se. Eu tenho algo para te dizer e espero que não leves a mal. Eu sinto algo por ti. - Num ápice pensei em dizer apenas um "gosto de ti", só que
pareceu-me algo infântil para a ocasiâo. - É algo que já sinto há algum tempo e que tem mexido muito comigo.
Desculpa confessar-te mas, não consigo evitá-lo. É mais forte que eu. És alguém que desperta o melhor que há em mim, se descrevesse o que me está a passar pela cabeça agora perdia-me em palavras. Não consigo encontrar razão para a tua lembrança me dominar desta forma. Acho-te verdadeiramente única. Pela tua forma de ser que me alicia a querer cada vez mais a tua companhia. Pelas tuas atitu...
Ela abre a boca para falar quando eu já tinha colocado as minhas mãos sobre a dela e pensava "É agora! Está chocada comigo e nunca mais me vai olhar na cara!".
- A sério? - Os seus olhos abriram-se de espanto mas não a notei hóstil para minha completa surpresa.
- Estou a falar a verdade.
- A sério que sentes isso? Eu nunca suspeitei de nada disso...
- Sim. Sempre escondi pois tinha medo de to confessar. Mas não conseguia mais carregar o fardo da dúvida de continuar calado.
- Não...
- Merda!! - Pensei
- Não... Não sei o que dizer. Deixaste-me sem palavras! - Confessou-me Ela enquanto eu via as suas bocechas a ganharem um ligeiro tom rosado e ela permanecia incrédula com o que tinha acabado de ouvir.
- Desculpa ter sido tão directo - Rematei enquanto suspirava de alivio pelas palavras que sucederam os seus repetidos "não". - Não quero que te sintas mal por isto. Mas simplesmente tinha de to dizer, espero que compreendas a minha parte.
- Não precisas de pedir desculpa... Tenho algo a confessar-te.
- O quê? - Respondi admirado. Ela teria algo para me confessar numa altura daquelas? Não estava minimamente à espera de confissões da parte dela naquela situação.
Assim que me aproximo um pouco mais d'Ela para a poder escutar com atenção, Ela inclinou-se suavemente na minha direcção fechando os olhos e, numa fracção de segundos, percebi o que me esperava. Fechei os meus olhos lentamente ainda com as minhas mãos por cima das d'Ela e fui por fim de encontro à sua boca.
Decorreu um longo, lento e demorado beijo em que as nossas linguas se debateram sem pressas como duas espadas numa tenra luta de sentimentos revelados como eu já há muito desejava. Encostei a minha mão à sua cara e acariciei-a sentindo toda a sua suave pele e, assim que abri os olhos e nos afastámos ligeiramente um do outro contemplei os seus olhos que se assemelhavam a dois pequenos mundos onde eu tinha acabado de me perder sem mais querer encontrar o caminho de volta.
- Tu... - Proferi suavemente ainda atrapalhado por ter voltado a mim daquela breve viagem.
- Sim. - Disse Ela.
E assim foi.

14 de janeiro de 2011

Amar

Este é para alguém que até escreve bem e que me inspirou a tentar mais prosa.
Joana de Carvalho
Amor. O melhor sentimento do mundo. Será?
O amor corrompe almas, aliena o bom-senso, desfaz o que se pensava antes concreto, troca a calma por uma ansiedade tal que nos dispara o coração e desfaz o pobre amante vezes e vezes sem conta.
Mas é num momento de amor que existe a maior das concretizações. O que outrora poderia ser considerado negativo vale a pena desde que quem ama o sinta. Por todo o amor que quer e que pode dar e pelo amor que pode receber em troca da pessoa que ama.
Quem nunca amou? Quem nunca olhou para trás e, ao reviver momentos passados se riu do que fez ou jurou por amor? Quem nunca pensou e disse "se fosse hoje..."?
Mas não foi bom antes? Se fosse hoje e, o sentimento, a cumplicidade, a paixão louca e descabida de si e a cegueira consentida por quem se ama fossem todos iguais... Não se iam repetir os actos e palavras?
Quando se ama, todo o pormenor nos desperta atenção e sentimento. Todo o pequeno acto ou palavra mexe connosco e, mesmo sensivelmente instáveis, nos sentimos bem por amar.
Todos os toques, os "amo-te", os beijos, os momentos passados ganham significado quando antes podiam até passar despercebidos. Amar faz abrir os olhos para a vida como ela realmente é e ajuda a goza-la, aproveitando-a...
Amor mata sim. Deixamos de viver a nossa vida para vivermos em função de quem amamos... Mas quando há amor não deve haver arrependimento e, mesmo que a pessoa na realidade nem mereça o amor que lhe foi dado, não é isso que nos deve impedir de amar novamente.
Porque o que será uma pessoa se ela não conseguir amar de verdade?

Pêndulo

Tic
Novamente, outro segundo grita mudo
Toc
Algo surge novo neste velho mundo
Tic
Deita-se um, ergue-se o outro
Toc
Pelo recém-nascido o velho jaz morto
Tic
Enruga a pele, mata inocência
Toc
Abre os olhos à real decadência
Tic
Frenético no seu ritmo certo e constante
Toc
Numa corrida sem fim, perto e distante
Tic
Ajuntar-se-á antes de se afastar
Toc
Já tinha expirado antes de se esgotar
Tic
Mas findou sereno no seu esperado inferno
Toc
Porque só mesmo o tempo pode ser eterno
Tic, Toc

Uma dedicatória

...A quem se tornou tudo no meio do meu nada.

Já passou tanto tempo desde o natal em que uma criança levou um estalo e aprendeu que o natal se resumia a um esbanjamento de presentes e sorrisos simulados, um esquema engendrado para gastar dinheiro e esboçar uma felicidade controladamente espontânea, tal como a exaltação do fingimento pela "causa" natalicia de preservar o lado bom que o ser humano, mesmo tendo perdido ha gerações atrás, afirma e se orgulha desmedidamente de ainda possuir.
A criança cresceu, formou-se um homem e manteve a sua palavra, tal como aos seus ideais. Ser fiel a si mesmo e aos seus. Aquele estalo serviu de uma revelação sobre a incomoda e fria verdade, tal como de uma lição de vida.
O homem nao muda, não se altera. Cada pessoa é, foi e será o que manifesta ser no seu intimo e, por mais pequenos pormenores que tentem ser aperfeiçoados ao longo de uma vida, nao muda na sua integra. A sua natureza humana não o permite.
Sempre será assim. O Natal manter-se-á uma epoca de fingimento até que o Homem se aperceba do erro em que se deixou cair e dê lugar à verdadeira mudança.
Hoje, o Homem encara o natal como o nascimento de Cristo, uma despesa adicional no seu orçamento, uma infernal corrida as lojas em esperança de comprar a sua felicidade ou a de outrem... Mas no fundo, apenas mais um dia. Um entre tantos em que nada de especial existe. Nada mais falso!
Todos os dias são o último. Cada dia especial e único é! Não há motivo para a existência de um dia em que um indivíduo se lembra de recordar à sua familia e aos seus mais que tudo que realmente se importa com eles a não ser que, por alguma razão, se tenha abstraido de faze-lo durante o ano inteiro.
Trata-se entao de uma pseudo compensação da parte da sociedade para redimir as falhas das pessoas para com tudo e todos os que as rodeiam em trezentos e sessenta e cinco dias durante um ano em apenas umas breves, constrangedoras e passageiras horas.
Torna-se entao vital para o então agora homem festejar a vida e todos os laços que contraiu com aqueles com que se fez rodear a cada dia que passa. Fazendo ver quem ele realmente gosta que, embora no fim de contas seja mais um individuo no mundo, e especial para ele... Por todos os momentos vividos, por todas as historias criadas, pelas memorias feitas que preduram na eternidade do tempo. E que esse festejo nao se limita a um mero dia em que sao banalizados votos (mais ou menos sentidos) de esperanças, concretizações e felicidades. Mas sim durante todo e cada dia de uma data indefinida chamada vida.
Com tudo isto, a ex crianca deseja as maiores felicidades a cada um dos que formam uma parte do seu Tudo. Nao hoje, nao durante uma semana... Mas sempre. Pelo que foram, pelo que são (e constantemente desenvolvem) e pelo homem que ajudaram a formar-se.

Alguém uma vez disse que o que nao nos mata torna-nos mais fortes, e verdade.
Um bem haja.

10 de janeiro de 2011

Sentir

Quero sentir
Mesmo que implique atroz sofrimento
Quero viver
A plenitude de cada momento
Com a mesma vontade de antes
Tal como a garra do presente
E a sabedoria que trará o futuro
Tramas de teor exorbitante,
Empolgante e emocionante
Estar em sintonia comigo,
Com o mundo, com a vida
Pois se há coisa nunca esquecida
É pois uma oportunidade perdida
Cada momento é especial
Cada memória inesquecível
E o futuro revela-se apetecível
Sei que a morte algures me espera
Mas calmo vivo a minha primavera
Desprendido e solto
Pois por quanto mais passo
Mais tudo me soube a pouco
Sinto por todos os sentidos
No seu sentido mais lato
E em cada momento em mim sentido
Acabo sentindo que ainda sou gaiato
Exijo tudo o que me foi tirado
Transpor as portas que ainda não abri
Serei então eterno inconformado
Mas só sei ser feliz assim

Se eu pudesse amar de outra forma

Amor é deleite e veneno
Torna grande o pequeno
Abre a vista à cegueira
reduz a vida à parte inteira
Abate-se na pequenez da sua imensidão
Dá luz que ilumina a escuridão
Da vida que te revelas em mim
Mas não queria que fosse assim
Se eu pudesse amar de outra forma
Amava-te não amando
Sem medo de te ir esgotando
Esperando, desesperando
Se pudesse amar de outra forma
Não te semeava a eternidade
Numa paixão com maldade
E seduções de tenra idade
Se eu pudesse amar de outra forma
Não chorava a tua partida
E serias a mais sentida
Numa relação mentida
Se eu pudesse amar de outra forma
Não te faria a mais feliz de nada
Nem serias sequer desejada
Por uma mente maravilhada
Se eu pudesse amar de outra forma

Mas não posso...