Trabalho, pintado a tons de cinzento... Cada nuvem do outro lado
da janela, pedaço do cubículo em que me instalo, o meu próprio pólo tem essa apagada tonalidade e a minha função tende a deixa-la
vincada nos traços pessoais de quem a exerce. Mas nunca
encontraram ninguém tão vermelho antes.
Nos tempos quentes em que o ar secava a boca, o refresco que
ingeria era a mesma sede com que estávamos. Um exército vermelho
com sede. Sede de mais, até mesmo sede a mais para apenas nós. Daí
ter passado tudo tão rápido, menos a sede.
Ver o nascer e o por do sol separados por um piscar de olhos, todo
o entre tanto era sede saciada e, quando a noite caía, a vontade
era outra, apenas o vermelho permanecia.
Hoje tudo em mim contrasta com esta mascara apagada. O vermelho do
sangue que corre em mortas veias, a ideia que habita a mente
dormente, o silêncio quebrado pelo tom e a garra de um grito de fúria. A luta e o contraste entre o Eu e o Mundo. Lindo.
O Nosso tempo já foi, mas as lembranças vivem e nós vivemos com
elas. Vivendo, pisando as cinzas do chão já gasto e deixando
aquela marca tão Nossa nelas. A marca de toda a nossa sede de
Mais, do sangue e da vida que transbordamos.
A marca dos BAE.