11 de junho de 2012

De mim ... Para Álvaro de Campos

O que é a vida senão um dominó sem planos?
O que é um dominó senão duas faces do mesmo cinzento?
O que é a vida sem quem nós amamos?
Sem tudo aquilo que nos trás alento?
Ao olhar ao espelho sei que vi
Não quem eu era, mas sim parte de mim
Tentei tirar a mascara, mas não conseguia
Porque ao tentar vi que tudo me cobria
Puxei, rasguei e enquanto a arrancava
Sentia que consigo os meus restos levava
A amargura cobrou-me o preço da minha fantasia
Constatei não ter sido eu até aquele dia
Quebrantado de me ser soltado da minha corrente
Quase sem esperanças segui em frente...
Segui e por fim foi diferente
A ferida tardia de si sarou
E de repente...
Completei-me com quem me recuperou

15 de abril de 2012

Dead memories in my heart, dead fingers in my veins

Trabalho, pintado a tons de cinzento... Cada nuvem do outro lado da janela, pedaço do cubículo em que me instalo, o meu próprio pólo tem essa apagada tonalidade e a minha função tende a deixa-la vincada nos traços pessoais de quem a exerce. Mas nunca encontraram ninguém tão vermelho antes.
Nos tempos quentes em que o ar secava a boca, o refresco que ingeria era a mesma sede com que estávamos. Um exército vermelho com sede. Sede de mais, até mesmo sede a mais para apenas nós. Daí ter passado tudo tão rápido, menos a sede.
Ver o nascer e o por do sol separados por um piscar de olhos, todo o entre tanto era sede saciada e, quando a noite caía, a vontade era outra, apenas o vermelho permanecia.
Hoje tudo em mim contrasta com esta mascara apagada. O vermelho do sangue que corre em mortas veias, a ideia que habita a mente dormente, o silêncio quebrado pelo tom e a garra de um grito de fúria. A luta e o contraste entre o Eu e o Mundo. Lindo.
O Nosso tempo já foi, mas as lembranças vivem e nós vivemos com elas. Vivendo, pisando as cinzas do chão já gasto e deixando aquela marca tão Nossa nelas. A marca de toda a nossa sede de Mais, do sangue e da vida que transbordamos.

A marca dos BAE.