Tantas formigas...
No dia-a-dia é o que mais consigo observar, estão por todo o lado desde que abro os olhos ao acordar até que os fecho às tantas da madrugada.
Correm atrafulhadamente quase que competindo umas com as outras, empurrando-se na pressa de chegar ao destino, formando autênticas multidões de "sem tempo", atulhando a capital todas as manhãs e fins-de-tarde tornando-a num formigueiro autêntico. Apenas correndo cabisbaixas ao mesmo ritmo que a vida passa por elas, fazendo por cumprir as suas obrigações... Guiadas por nada mais do que o seu instinto e o "dever".
As criadoras do conceito de "stress" sobrevivem à custa do mesmo frenezim que lentamente lhes estoura a sanidade, pois tanto as preenche que fez com que abdicassem de sentimentos... Logo não sentem a dor de nada poderem sentir. Deve ser algo de tenebroso! Será? Nem elas sabem...
As formigas nascem por volta das 8.00h e adormecem às 16.00. é por volta dessa hora que o ser humano volta a si.
Ser humano...
Que de humano pouco tem. Vendo bem... Ainda menos que isso.
Como se pode esperar algo de humano de uma "pessoa" que recebe de braços abertos uma fracção do seu instinto animal para poder sobreviver a 8 horas de formigueiro? Pois... É algo confuso. Mesmo assim, insisto em chamar-lhes humanos.
Assim que acaba toda a correria, despem-se as fantasias e cada um volta a ser o que era. Talvez um adolescente a gozar os seus dias de acne em frente ao espelho, uma mãe de família atrasada mas desta vez para preparar o jantar, um amigo que tem encontro marcado com o grupo no bar 3 ruas à frente de casa ou apenas um solitário que vai descansar o resto do dia na sua cama.
Despem-se as "fantasias" e de seguida são penduradas na bengaleira, juntamente com os guarda-chuva e perto das malas para, na manhã seguinte, estarem "mais à mão" quando forem vestidas juntamente com a gabardine à ida para o formigueiro.
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