10 de janeiro de 2011

Chuva e amores desamparados

Já te senti a falta...
Já chorei por ti...
Já nem sequer te vejo...
Já percebi que era a hora do adeus...
Já enganei...
Já me dei mal...
E agora?
Agora chove, chove e o vento corre. Bate-me na cara e dá-me estalos.
Acorda-me outra e outra vez a sensação de que estou mal... E realmente estou.
Não há nada de romântico e de encantador nisto tudo! Estou ao frio numa noite de inverno a apanhar com chuva! Ela lava-me a alma? Não, caso contrario sentir-me-ia bastante melhor do que estou agora.
O vento conta-me as mensagens de amor que nunca me disseram e que quero desesperadamente ouvir? Muito menos, apenas me faz sentir gelado e ainda mais infeliz do que já me sentia porque não tenho ninguém aqui que me aqueça.
A lua é minha confidente? Sim, essa permanece no sitio... Eu é que me mudei. Normalmente mirava-a através de uma janela no conforto da minha casa, agora miro-a desnudada no vazio em que consiste a noite no meio da rua. Mas já não lhe confio as minhas intimidades romanticas, confio-lhe sim parte da minha tristeza... Pois ela descabida de si não me cabe no peito.
Dedico-me inteiramente aos desvaneios enquanto vagueio na rua, eles serão algo interessantes (mentira, mas serão mais interessantes do que tudo o que revolvi anteriormente) para alguém como eu.
Amor é Odio com caricias. Amo-te e por isso odeio-te, odeio-me por te amar, cansei-me de amar, mas odeio não conseguir deixar de faze-lo. Horrivel...
...Mas por isso vagueio mais um dia enquanto a resposta não me
cai em cima como esta chuva.

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