27 de janeiro de 2011

Vício

O meu vício por ti é tal:

Que um mero olhar me fazia sorrir
Que cada segundo sem ti me esmagou o coração.
Que contei os teus passos ao partir
Que o teu toque me fez despertar
Que tornou a minha vida em arte
Que a tua voz me fez tudo superar
Que me fez saber amar amar-te
Que me cegou a vista de livre vontade
Que chamei o teu nome a todo o momento
Que ao ver a lua desejei a nossa eternidade
Que disfarcei as lágrimas na hora do adeus
Que me fez acreditar no destino
Que por ti, eu reneguei a Deus
Que criou em ti algo de divino
Que o teu sorriso iluminou o meu dia
Que nos uniu fisica e psicologicamente
Que tornaste quente a noite mais fria
Que suprimiste a fome, sono e cansaço.

E que faz com que Tudo continue a valer a pena...
Por ser para ti.

24 de janeiro de 2011

Desconhecido

Não sei…
É a única certeza que alguém pode afirmar em toda a sua vida, é a rendição do Homem ao óbvio, a percepção de tudo o que o rodeia… contudo é apenas uma incerteza!
Não sei... Se
O dia de hoje será igual ao dia de ontem, viverei o suficiente para poder ver o nascer do sol que anuncia o dia de amanhã, nem sequer se o deus que me governa realmente existe, muito menos o que será de mim daqui a um minuto… São estas algumas das coisas às quais nunca terei resposta, apesar de já a ter dado. É a condição de uma frágil peça de dominó prestes a cair devido a um simples sopro caprichoso do vento que todos tentam a muito custo ignorar… Ninguém consegue aperceber-se de que cada segundo é uma vitória, cada minuto uma honra e cada vida uma dádiva. Mas aceito que tudo possa mudar, porque por muito que queira poder impedi-lo já tudo mudou e, em vez de conseguir travar o rumo do destino… Ajudei.
Ninguém há de saber dar o devido valor à vida, ao bom que é nada saber e viver tudo, acabando por morrer sem nada… Quer queiramos quer não…
Somos todos muito fracos para darmos por nós no total desconhecido e aventuramo-nos a tentar fazer uma vida… Qual vida? A que te rodeia, ou a tua? É que escolhas a que escolheres falhaste. Porque nem uma nem outra existem… São apenas a ilusão de um tempo que já passou.
E o que leste? Diz-me tu! Apenas a confirmação de que a tua agenda é inútil? De que todos os teus planos para o futuro não passam de uma miragem prestes a sucumbir aos caprichos do imprevisto tal como tu? Sinceramente não faço ideia… Mas uma coisa eu sei...
Sei que viveste para lê-lo!

Save me

Trata-se de uma antiga letra que escrevi para uma banda de um amigo meu.
Aqui fica


You were the sublime divinity
The wanted key that leads to eternity
Like a fallen angel you used to act
Such perfection made a scar in my heart

Now the scar refuses itself to heal
Infected with the serpent’s poison it is
You really don’t know how you make me feel
And only you can cure me with a blessed kiss

Save me from all this pain
Make it all go away (go)
Never to return again (no)
Kiss me like the old way

When my hands touched your skin
I felt your innocence and purity
In the end, consumed by Satan’s sin
We both lost our virginity

It was the day when heaven fall
God’s fury has spread above us all
The sacred tree has been violated
All mankind is now doomed
And in the end, we will be annihilated

Save me from all this pain
Make it all go away (go)
Never to return again (no)
Kiss me like the old way

Alone in this darkness now I am
My fear I desperately try to hide
The wolves’ owl makes me understand
That I haven’t got a reason to survive!

Proibido

Nunca foste minha
Mas custa-me entregar-te
Proibir-me de te querer
Matar este sentimento que tornaste arte
Este amor...
Calar e sofrer.
Todo o dia
Toda a noite
Me perco no meu lamento
Envolvo-me em sofrimento
Porque,
Neste mundo que deixaste...
Todo o céu é cinzento
Como as cinzas da vida
Que outrora iluminaste
Agora espalhadas pelo vento
Da loucura,
Do desespero e amargura
De alguém que à partida
Nunca pude realmente ter

17 de janeiro de 2011

Confissão

Era tarde, bem tarde.
Lembro-me de que tinha compromissos já marcados, uma ida ao café com amigos para o habitual convivio em que risos e histórias recentes são trocados num clima de lembrança e união. Mas inesperadamente faltei.
Fui ter com Ela. Estava cegamente obstinado em confessar-lhe finalmente o que me consumia o coração. Simplesmente já me tinha tornado incapaz de suster o sentimento que permanecia num secretismo de silêncio absoluto à custa da minha mágoa e agonia. Só eu sei como me custava ve-la de longe e esbocar um sorriso enquanto tudo o que mais queria era poder caminhar o mesmo trilho que ela de mãos entrelacadas, ou mesmo as mensagens que tinha de re-escrever vezes sem conta pois à minima distracção continham palavras proibidas de serem vistas ou escutadas por revelarem em pleno todo o meu afecto.
Enquanto me dirijo para o destino marcado tento controlar o meu nervosismo inspirando lentamente, a pulsação acelerada que me fazia tremer que nem varas verdes e a vergonha do possível não que quase me empurrava novamente para casa e me incentivava a inventar uma qualquer desculpa esfarrapada para adiar este dia. Só que não podia adiar mais. Estava possuido pela imagem do seu sorriso, pela graciosidade do seu minimo gesto e da ternura com que dizia cada uma das suas palavras, autêntica música para os meus ouvidos. A sua imagem assombrava a minha mente, como se de um lembrete amaldiçoado se tratasse, confinando qualquer acontecimento a cinzas pois o que realmente me interessava era Ela.
Murmurando sozinho, tentava rabuscadamente delinear o que teria para lhe dizer ou, não fosse a tempestade de nervos que se tinha abatido em mim, por-me a gaguejar quando tentasse falar.
- Eu... Am... Sabes, é que já não dá hmm... para aguentar. Ok, desculpa. Vou tentar ser directo...
Porra! - Foi a única palavra que consegui dizer sem hesitar e, também, a minha conclusão. Não valia a pena tentar decorar nada para dizer porque simplesmente não estava a conseguir faze-lo.
Ao me aproximar do destino, um café perto de sua casa, tento encontrar a sua silhueta à porta enquanto contrariava os últimos impulsos de receio e constrângimento que toda essa situação me causava. Mas não vi ninguém.
- Ok, Ela não está. Vim beber café sozinho... Mas ao menos evito contar-lhe. - Pensei.
Entrei no café. Ao olhar de esgar para o fundo do salão avistei a sua silhueta. Surpreendentemente ela já lá estava, apesar de me ter confessado antes que provavelmente iria chegar atrasada. Estava sentada numa das mesas mais distantes a beber um fumegante chocolate quente. Ao cumprimentar o empregado de balcão, olhei novamente de relançe para Ela. A sua cara tenramente branca em nada diferia da com que eu sonhava todos os dias. Os seus olhos cor de mel fixavam a sua ternura em mim, o seu cabelo caía-lhe sobre os ombros, moldando-lhe aprimoradamente o rosto e os seus finos lábios revelavam-se uma tentação para os meus, que lhes desejavam há muito tocar.
- Olá, estou aqui! - Nunca tão poucas e doces palavras me fizeram tremer tanto por dentro. Por instantes ressoaram na minha cabeça, abstraindo-me um pouco do momento mas rápidamente me trouxeram à realidade como um choque assim que me dirigi na sua direcção.
Cumprimentei-a na face, inalando o cheiro suave do seu perfume, puxei uma cadeira e sentei-me em frente a ela. Tinha chegado o momento que eu, numa contradição de sentimentos, tinha provocado. Ao sentar-me tinha posto um ponto final na minha jura de partilhar com Ela toda a minha paixão, mesmo que Ela a renegasse.
- Olá. Então tudo bem? - Tinha conseguido ganhar uns segundos para me habituar à ideia e me por mais à vontade perante ela.
- Sim. E contigo? Tudo bem? - Esta simples frase soou como o fim da minha dolorosa contagem decrescente.
- Não. Hoje não está infelizmente...
- Então porquê? Passa-se alguma coisa? - Se não tivesse sido Ela a dize-lo, provavelmente eu teria ironicamente respondido "Não. Eu estou mal porque não se passa rigorosamente nada!". Mas naquele momento saiu-me:
- Passa-se. Eu tenho algo para te dizer e espero que não leves a mal. Eu sinto algo por ti. - Num ápice pensei em dizer apenas um "gosto de ti", só que
pareceu-me algo infântil para a ocasiâo. - É algo que já sinto há algum tempo e que tem mexido muito comigo.
Desculpa confessar-te mas, não consigo evitá-lo. É mais forte que eu. És alguém que desperta o melhor que há em mim, se descrevesse o que me está a passar pela cabeça agora perdia-me em palavras. Não consigo encontrar razão para a tua lembrança me dominar desta forma. Acho-te verdadeiramente única. Pela tua forma de ser que me alicia a querer cada vez mais a tua companhia. Pelas tuas atitu...
Ela abre a boca para falar quando eu já tinha colocado as minhas mãos sobre a dela e pensava "É agora! Está chocada comigo e nunca mais me vai olhar na cara!".
- A sério? - Os seus olhos abriram-se de espanto mas não a notei hóstil para minha completa surpresa.
- Estou a falar a verdade.
- A sério que sentes isso? Eu nunca suspeitei de nada disso...
- Sim. Sempre escondi pois tinha medo de to confessar. Mas não conseguia mais carregar o fardo da dúvida de continuar calado.
- Não...
- Merda!! - Pensei
- Não... Não sei o que dizer. Deixaste-me sem palavras! - Confessou-me Ela enquanto eu via as suas bocechas a ganharem um ligeiro tom rosado e ela permanecia incrédula com o que tinha acabado de ouvir.
- Desculpa ter sido tão directo - Rematei enquanto suspirava de alivio pelas palavras que sucederam os seus repetidos "não". - Não quero que te sintas mal por isto. Mas simplesmente tinha de to dizer, espero que compreendas a minha parte.
- Não precisas de pedir desculpa... Tenho algo a confessar-te.
- O quê? - Respondi admirado. Ela teria algo para me confessar numa altura daquelas? Não estava minimamente à espera de confissões da parte dela naquela situação.
Assim que me aproximo um pouco mais d'Ela para a poder escutar com atenção, Ela inclinou-se suavemente na minha direcção fechando os olhos e, numa fracção de segundos, percebi o que me esperava. Fechei os meus olhos lentamente ainda com as minhas mãos por cima das d'Ela e fui por fim de encontro à sua boca.
Decorreu um longo, lento e demorado beijo em que as nossas linguas se debateram sem pressas como duas espadas numa tenra luta de sentimentos revelados como eu já há muito desejava. Encostei a minha mão à sua cara e acariciei-a sentindo toda a sua suave pele e, assim que abri os olhos e nos afastámos ligeiramente um do outro contemplei os seus olhos que se assemelhavam a dois pequenos mundos onde eu tinha acabado de me perder sem mais querer encontrar o caminho de volta.
- Tu... - Proferi suavemente ainda atrapalhado por ter voltado a mim daquela breve viagem.
- Sim. - Disse Ela.
E assim foi.

14 de janeiro de 2011

Amar

Este é para alguém que até escreve bem e que me inspirou a tentar mais prosa.
Joana de Carvalho
Amor. O melhor sentimento do mundo. Será?
O amor corrompe almas, aliena o bom-senso, desfaz o que se pensava antes concreto, troca a calma por uma ansiedade tal que nos dispara o coração e desfaz o pobre amante vezes e vezes sem conta.
Mas é num momento de amor que existe a maior das concretizações. O que outrora poderia ser considerado negativo vale a pena desde que quem ama o sinta. Por todo o amor que quer e que pode dar e pelo amor que pode receber em troca da pessoa que ama.
Quem nunca amou? Quem nunca olhou para trás e, ao reviver momentos passados se riu do que fez ou jurou por amor? Quem nunca pensou e disse "se fosse hoje..."?
Mas não foi bom antes? Se fosse hoje e, o sentimento, a cumplicidade, a paixão louca e descabida de si e a cegueira consentida por quem se ama fossem todos iguais... Não se iam repetir os actos e palavras?
Quando se ama, todo o pormenor nos desperta atenção e sentimento. Todo o pequeno acto ou palavra mexe connosco e, mesmo sensivelmente instáveis, nos sentimos bem por amar.
Todos os toques, os "amo-te", os beijos, os momentos passados ganham significado quando antes podiam até passar despercebidos. Amar faz abrir os olhos para a vida como ela realmente é e ajuda a goza-la, aproveitando-a...
Amor mata sim. Deixamos de viver a nossa vida para vivermos em função de quem amamos... Mas quando há amor não deve haver arrependimento e, mesmo que a pessoa na realidade nem mereça o amor que lhe foi dado, não é isso que nos deve impedir de amar novamente.
Porque o que será uma pessoa se ela não conseguir amar de verdade?

Pêndulo

Tic
Novamente, outro segundo grita mudo
Toc
Algo surge novo neste velho mundo
Tic
Deita-se um, ergue-se o outro
Toc
Pelo recém-nascido o velho jaz morto
Tic
Enruga a pele, mata inocência
Toc
Abre os olhos à real decadência
Tic
Frenético no seu ritmo certo e constante
Toc
Numa corrida sem fim, perto e distante
Tic
Ajuntar-se-á antes de se afastar
Toc
Já tinha expirado antes de se esgotar
Tic
Mas findou sereno no seu esperado inferno
Toc
Porque só mesmo o tempo pode ser eterno
Tic, Toc

Uma dedicatória

...A quem se tornou tudo no meio do meu nada.

Já passou tanto tempo desde o natal em que uma criança levou um estalo e aprendeu que o natal se resumia a um esbanjamento de presentes e sorrisos simulados, um esquema engendrado para gastar dinheiro e esboçar uma felicidade controladamente espontânea, tal como a exaltação do fingimento pela "causa" natalicia de preservar o lado bom que o ser humano, mesmo tendo perdido ha gerações atrás, afirma e se orgulha desmedidamente de ainda possuir.
A criança cresceu, formou-se um homem e manteve a sua palavra, tal como aos seus ideais. Ser fiel a si mesmo e aos seus. Aquele estalo serviu de uma revelação sobre a incomoda e fria verdade, tal como de uma lição de vida.
O homem nao muda, não se altera. Cada pessoa é, foi e será o que manifesta ser no seu intimo e, por mais pequenos pormenores que tentem ser aperfeiçoados ao longo de uma vida, nao muda na sua integra. A sua natureza humana não o permite.
Sempre será assim. O Natal manter-se-á uma epoca de fingimento até que o Homem se aperceba do erro em que se deixou cair e dê lugar à verdadeira mudança.
Hoje, o Homem encara o natal como o nascimento de Cristo, uma despesa adicional no seu orçamento, uma infernal corrida as lojas em esperança de comprar a sua felicidade ou a de outrem... Mas no fundo, apenas mais um dia. Um entre tantos em que nada de especial existe. Nada mais falso!
Todos os dias são o último. Cada dia especial e único é! Não há motivo para a existência de um dia em que um indivíduo se lembra de recordar à sua familia e aos seus mais que tudo que realmente se importa com eles a não ser que, por alguma razão, se tenha abstraido de faze-lo durante o ano inteiro.
Trata-se entao de uma pseudo compensação da parte da sociedade para redimir as falhas das pessoas para com tudo e todos os que as rodeiam em trezentos e sessenta e cinco dias durante um ano em apenas umas breves, constrangedoras e passageiras horas.
Torna-se entao vital para o então agora homem festejar a vida e todos os laços que contraiu com aqueles com que se fez rodear a cada dia que passa. Fazendo ver quem ele realmente gosta que, embora no fim de contas seja mais um individuo no mundo, e especial para ele... Por todos os momentos vividos, por todas as historias criadas, pelas memorias feitas que preduram na eternidade do tempo. E que esse festejo nao se limita a um mero dia em que sao banalizados votos (mais ou menos sentidos) de esperanças, concretizações e felicidades. Mas sim durante todo e cada dia de uma data indefinida chamada vida.
Com tudo isto, a ex crianca deseja as maiores felicidades a cada um dos que formam uma parte do seu Tudo. Nao hoje, nao durante uma semana... Mas sempre. Pelo que foram, pelo que são (e constantemente desenvolvem) e pelo homem que ajudaram a formar-se.

Alguém uma vez disse que o que nao nos mata torna-nos mais fortes, e verdade.
Um bem haja.

10 de janeiro de 2011

Sentir

Quero sentir
Mesmo que implique atroz sofrimento
Quero viver
A plenitude de cada momento
Com a mesma vontade de antes
Tal como a garra do presente
E a sabedoria que trará o futuro
Tramas de teor exorbitante,
Empolgante e emocionante
Estar em sintonia comigo,
Com o mundo, com a vida
Pois se há coisa nunca esquecida
É pois uma oportunidade perdida
Cada momento é especial
Cada memória inesquecível
E o futuro revela-se apetecível
Sei que a morte algures me espera
Mas calmo vivo a minha primavera
Desprendido e solto
Pois por quanto mais passo
Mais tudo me soube a pouco
Sinto por todos os sentidos
No seu sentido mais lato
E em cada momento em mim sentido
Acabo sentindo que ainda sou gaiato
Exijo tudo o que me foi tirado
Transpor as portas que ainda não abri
Serei então eterno inconformado
Mas só sei ser feliz assim

Se eu pudesse amar de outra forma

Amor é deleite e veneno
Torna grande o pequeno
Abre a vista à cegueira
reduz a vida à parte inteira
Abate-se na pequenez da sua imensidão
Dá luz que ilumina a escuridão
Da vida que te revelas em mim
Mas não queria que fosse assim
Se eu pudesse amar de outra forma
Amava-te não amando
Sem medo de te ir esgotando
Esperando, desesperando
Se pudesse amar de outra forma
Não te semeava a eternidade
Numa paixão com maldade
E seduções de tenra idade
Se eu pudesse amar de outra forma
Não chorava a tua partida
E serias a mais sentida
Numa relação mentida
Se eu pudesse amar de outra forma
Não te faria a mais feliz de nada
Nem serias sequer desejada
Por uma mente maravilhada
Se eu pudesse amar de outra forma

Mas não posso...

O que me restou de ti

Onde estavas tu quando eu tresmalhava em vão
Procurando-te?...
Quando no vazio do ar
Ecoava o meu choro,
Minha angustia e desconsolo.
Quando fechava os olhos e tentava criar um espaço,
Na esperança de os abrir e te ver chegar.
Quando no fim de tudo
Nunca te cheguei a encontrar!
Vi o teu vulto em tantas mil,
Mas era apenas a sombra do que o meu desejo reflectia...
Rasguei sonhos
Quebrei esperanças
Para vingar a minha alma fria
Só que, apesar de tudo
Ela manteve-se vazia

Matei-a!
Já não sofro
Cortei este meu apendice cancerigeno
Não sei mais o que é amor
Mas nunca mais sentirei dor.
Espero apenas...
Que não cresca em mim uma hera chamada paixão
Que me tire do aconchego
Da minha solidão
Pois não te quero reviver!

Revoltar-me-ei!
Irão sofrer mil vezes mais o que eu passei
Por terem caido na mesma cegueira que eu caí!
Por não encontrarem em mim o que não encontrei em ti
Por não te ter encontrado a ti!
Sim,
Tu que nos meus paranóicos delirios existias!
Não própriamente tu, mas A tu que eu amava em ti
e que só depois de morto vi que não havia!

Se hoje alguém procurar por mim,
O que irão encontrar no meio dos meus escombros
É a marca
E o negro
Da minha perdição
Porque agora sou um corpo
Que se tornou num porco
Que renega o coração!

Catarina

Batalha de fundo
No interior mais profundo
Contratempo
No teu pensamento
Enquanto passa o tempo
Existe confrontação
Entre ti
E a tua condição
Sorri
Levanta a cabeça
A atitude é essa
A meta é a partida
Nunca esquecida
Acredito que sofrida
Mas sabes que recompensada
O limite não é o céo
O limite não é nada
De mãos dadas unidos
Ou separados por oceanos
Somos a mesma família
Seremos os mesmos manos
Levanta o véu
Segue a tua caminhada
Ama o momento
E tudo o que te dá alento
Pois a ferro e fogo
Guardamos-te cá dentro
Voa e não pares
Percorre terras e mares
Somos um pedaço teu
Tal como tu uma de nós
E nos nossos corações
Ecoa a tua voz
E de tudo o que fizemos
Que veio a ser para ti
É porque andar não será começo
E correr não será o fim

Para Camões

Às armas e aos barões assinalados
Desta tão nobre terra
A todos os sentimentos tanto jurados
De todo o amor que findou em guerra
Por todos os caminhos rumados
De todos os amantes feridos
A todos os futuros perdidos

Porque é fogo que arde sem se ver
Todo o aventureiro demente
Sabe que é a amar e a sofrer
Que se tornará um dia gente
Mas quem já sofreu pode confirmar
Que não há melhor do que amar


Estes pseudo-versos surgiram de um desafio mental de quando comecei a divagar sobre as obras de camões e sobre o quão complicado seria cumprir o seu esquema métrico e rimático.
Resultou nisto

Voltas da vida

Num espaco tao curto de tempo dentro da infinidade das geracoes, a minha vida deu um salto tao grande... Um rodopio de infindaveis graus a uma velocidade estonteante.

Estudava... Deixei.
Trabalhei... E mudei.
Tinha uma rotina... Que abandonei.
Tinha uma porta para entrar... Mas sai.
Surgiu uma nova vida... Que eu vivi.

Vejo-me antigo, embora renovado na minha existencia.
Os tempos sao outros, mas tambem o sao as gentes. Nunca me imaginaria em tal mudanca, quando antes era tao dado ao habito. Mas assim foi escrito e eu assim o li.
Quantas e quantas vezes disse que nao valeria a pena tentar decifrar o que seria de mim apos X tempo, nada mais verdadeiro. A vida da tantas voltas que ao tentar apenas imaginar o quanto ela gira, dariamos em loucos apos o planeamento de um mero dia.

Sinto que mudei...
...Mas sinto-me bem com a mudanca.

Apos o tipico corte com o passado, agora (passado 2 anos) tudo esta a tomar o seu rumo e, as ligacoes mais solidas do meu passado mostraram que valem toda a esperanca que depositei nelas. E estou mais completo, porque, para alem de conseguir manter (inesperadamente) o meu passado, abri os meus horizontes e completei-me com uma mao-cheia de recentes partes de mim.

Citando uma antiga frase por mim dita...
"Mudo de roupa, de trabalho, de escola, de casa, de familia, de namorada, de amigos, de vida... Mas de clube nunca"

E foi mesmo essa a unica constante da minha vida

Desafio

Ja dormes, descansa
A noite para mim
Ainda e uma crianca
Mas mesmo assim
Tenho de dormir
Gostava de me juntar a ti
E adormecer em ti aninhado
Pois tu es enfim
A minha loucura e pecado
E acabo sentindo
Que por ti sou desejado
Contigo sonho acordado
A toda a hora do dia
Com um amor que aqueceria
Ate a tempestade mais fria
Seria uma constante
Seriamos poesia
De uma forma brilhante
Em ti vejo tudo o que eu queria
Um jeito e maneira de ser
Que me delicia
Uma voz e corpo lindo
Uma pele macia
No sonho vejo o teu beijo
Aquilo que eum mais desejo
Pois nao ha mondego, sado
Nem ha tejo
Que me levem o apego
Que ganhei por ti

Mas acordo e recordo
Que estou sozinho entao
Escrevo o que sinto
E nao minto
Acerca da minha paixao
Achei-o bacano
Para a menina que amo
Nao te pedirei opiniao

...

Apenas um desafio lirico, nada de especial, nada verdadeiramente sentido...

"Till we die" - Bronkz edit

even though we made it
we can't forget
what we've been through
to be able to learn
with our victories
and with our mistakes too
Go on... Live on
Your life is still new
You have a lot to live
Earn your experience
turn off the tables
make the mess out this time
turn your swet into blood
always defend your pride
terminate each and everyone

till we die
till you die

promise from now on
you'll always be the same
and never to forget your roots
sware that you'll remember
those days and those nights
that we've spent in our youth
memories I won't forget
and hope that you'll keep it
forever present in your head

till we die
till I die

you won't be forgotten
cause I'll never give in
the strenght that you gave me
allowed us to win
carry on
let's... carry on

Till we die

Ódio

Chora
Sofre
Morre
E apodrece sozinho no chão

por:
O menino que outrora
Por ti esperou em vão

Sente o toque de quem amas,
a inocência de quem tramas.
Sente o sorriso que esboças
e o grito que sufocas.
Sente a brisa do vento
e a magia que te trás alento.
Sente a alegria que desejas
por muito fraco que estejas.
Sente o poder da voz que não te deixa desfalecer,
a companhia de quem por ti se quer perder.

Sente a presença da gente.
Liberta-te e segue em frente.

Sente o cheiro da felicidade
e o cheiro da verdade.
Sente a loucura
e vive a aventura.
Sente as pedras da calçada
a longa caminhada.
Sente a madrugada
e a frescura da alvorada.
Sente a chuva na cara
e a ferida que te sara...

... e sente

Enquanto sentes
Sabes que estou presente.
Em tudo o que olhas e te faz sentir,
em tudo o que te faz emergir,
a água que me refecte ao ver-te,
a vida que desperta ao querer-te.

Cada toque teu fascina o mundo,
fascinas-me por seres tu.

Por isso sê!

Pequeno

Olha para mim
Pequeno e frágil
Apesar do gigantismo
Que carrego nos ombros
Ve-me
Como um humano
Não como outros
Que me endeusam
Percebe as minhas falhas,
Compreende os meus caprichos,
Pois apesar de tudo...
Eu sou eu
Não o que todos vêm em mim

Chuva e amores desamparados

Já te senti a falta...
Já chorei por ti...
Já nem sequer te vejo...
Já percebi que era a hora do adeus...
Já enganei...
Já me dei mal...
E agora?
Agora chove, chove e o vento corre. Bate-me na cara e dá-me estalos.
Acorda-me outra e outra vez a sensação de que estou mal... E realmente estou.
Não há nada de romântico e de encantador nisto tudo! Estou ao frio numa noite de inverno a apanhar com chuva! Ela lava-me a alma? Não, caso contrario sentir-me-ia bastante melhor do que estou agora.
O vento conta-me as mensagens de amor que nunca me disseram e que quero desesperadamente ouvir? Muito menos, apenas me faz sentir gelado e ainda mais infeliz do que já me sentia porque não tenho ninguém aqui que me aqueça.
A lua é minha confidente? Sim, essa permanece no sitio... Eu é que me mudei. Normalmente mirava-a através de uma janela no conforto da minha casa, agora miro-a desnudada no vazio em que consiste a noite no meio da rua. Mas já não lhe confio as minhas intimidades romanticas, confio-lhe sim parte da minha tristeza... Pois ela descabida de si não me cabe no peito.
Dedico-me inteiramente aos desvaneios enquanto vagueio na rua, eles serão algo interessantes (mentira, mas serão mais interessantes do que tudo o que revolvi anteriormente) para alguém como eu.
Amor é Odio com caricias. Amo-te e por isso odeio-te, odeio-me por te amar, cansei-me de amar, mas odeio não conseguir deixar de faze-lo. Horrivel...
...Mas por isso vagueio mais um dia enquanto a resposta não me
cai em cima como esta chuva.

A caminhada

Nasceste finalmente.
O mundo caiu-te nos ombros e notas a dificuldade de seguir em frente,
a indecisão em cada passo dado e o receio em continuar a tua caminhada...
Longe e sentado te vejo e me recordo
De quando a mim me doia "andar".
Revejo-me em ti,
Perdida e sem saber por quem chamar.
És forte.
Admiro-te pela coragem que mostras andando sozinha
Embora desamparada...

Fomos dois.

Levanto-me, dou-te a mão, ergue-te!
Sei que ajudando-te agora comigo caminharás depois!
Continua,
Sê forte pequena,
Um dia serás enorme
Nesse dia verás as tuas passadas com os mesmos olhos que eu,
Verás que compensou o que doeu,
O que sofreste e as lágrimas que derramaste...
E serás mais forte do que aquele por quem outrora chamaste!
Serás dona de ti, linda e deslumbrante...
Serás a força que te falta hoje...

Isto sei eu hoje e saberás tu um dia,
Por isso contigo estarei para a tua caminhada em direcção ao céu.

Confissões

Nunca foste minha...
Mas custa-me entregar-te
Proibir-me de te querer,
Matar este amor
Calar e sofrer
Todo o dia, toda a noite
Perco-me no meu lamento
Envolvo-me no meu sofrimento
Pois neste mundo que tu deixaste
Todo o céu é cinzento
Como as cinzas da vida que outrora iluminaste
Agora espalhadas pelo vento da loucura
Desespero e amargura
De alguém que à partida nunca pude ter...
Tu

O fim

O nosso tempo já morreu
O clique esgotou-se
A alma já não se sente
Nem tão pouco o coração se dá ao trabalho de acelerar...
Foste algo muito forte
Muito bom, que me deliciava
Mas o sentimento esgotou-se
À medida que o tempo passava.
O vento novamnente me esfriou os lábios
E não tinha os teus para mos aquecer
E noutros tantos momentos
Variadissimos e pequenos exemplos
Que me mostraram...
Que acabei por te perder
Resignei-me,
Bati o pé,
Rangi os dentes...
Comecei a caminhar e segui em frente
Não foste tu a tal,
Não chegas-te a ser diferente.
Não lamento, também já não te prolongo...
Já passaste
E hoje digo que numa boa memória te tornaste

Necessidade

É a necessidade
De um pequeno toque
Não de um roçar
De um conforto
Não de um corpo
Que se abate,
Me invade
Me mata.
De amparo preciso
Por amor gemo
Alguém idealizo
Por "ela" tremo
Mas ninguém encontro.
Sozinho esqueço
Não consigo, mas tento
Encontrar conforto...
Em palavras
Que nunca foram ditas,
Em provas
Que nunca foram dadas,
Em letras
Que nunca foram escritas,
Em tantas outras...
Tentativas falhadas

Não sei

Não sei... (se) sou,
Não penso... (se) vou,
Não hesito... (se) quero,
Não temo... Desespero!
O escuro que nao te deixa ver
O suave toque do amanhecer
Leve, breve, suave...
Nasco, cresco, morro
Não!
Morto estou, vida almejo.
Quero... Teu sangue desejo,
Sinto... Nossos fracos pulsos,
Vejo... Nosso sangue a correr.
Quanto mais morto estas, mais vida sinto
Nossa alma se desprendeu por isso grito.
Solta está... Viva! Serena!
A ver
Nós coitados...
Que tivemos de morrer!

Não há

Quando o aperto cá dentro
É pior do que se esperava,
Mesmo sabendo
Que a própria razão seria parva
Pois não há razão, nem motivo sequer
Para continuar deste modo... Sempre mal
Sempre a perder
Porque sei que podia
Não... Devia!
Mover-me,
seguir em frente...
ou apenas seguir!
Mas não vou a lado nenhum
Não avanço nem retrocedo
Canso-me de Estar parado
Canso-me de Ser parado
A minha alma quer ir a algum lado
Quer acção
Movimento
Sentir...
O momento
Deixar-se seduzir
Pela paixão da altura
Mas neste caso
Não há Deus que me acuda

Estupidez a 100%

Quando se sente que o corpo está onde não devia estar, fazendo o que não devia fazer... O que sentem?
Será que sentem aquele aperto no peito, que nos sufoca juntamente com o sentimento de culpa? Um nó na barriga derivado aos nervos? Um peso enorme na consciência? O tremor de uma certa parte do corpo porque não se conseguem controlar?

Senti isso tudo... Mas não devia.

Não devia, não devia não! Eu estava no sitio certo a fazer a coisa certa (não sei se com a pessoa certa ou não) e senti precisamente o contrário! Senti-me horrivel, nojo daquele momento, vontade de fugir dali e começar aos berros até me trancar no quarto.
Após a dificil tarefa de me convencer a consumar o acto a que me tinha proposto, "levar" com os olhares de quem ansiava que o fizesse, as indirectas (E AS BASTANTES DIRECTAS) do meu "alvo" e de me ter estado a esquivar da melhor maneira possível durante horas... Chegou a altura em que aquele clima se criou e o momento parecia gritar-me aos ouvidos: "FAZ ESTUPIDO! MAS TU ESTÁS À ESPERA DO QUÊ?"... Aí eu cedi.
A "coisa" desenrolou-se, eu fiz o que tinha a fazer da melhor forma que sabia (coisa que até estava habituado a fazer) e o resultado foi bom.

Só que por dentro... Não foi bom.

Desde o primeirissimo instante que me senti mal comigo próprio, ainda estou com o sentimento de culpa por algo que não deveria sequer fazer-me sentir culpado, a vontade de parar tudo e fugir foi tão grande... Terrivel.
Estou a "ressacar" de tal experiência, quero apurar o porquê de me ter sentido assim e apagar esses motivos (porque concerteza não são validos) e na proxima vez que a voz do momento quiser falar comigo, espero bem que não se tenha de pronunciar.

Porque eu devia ter agido antes disso e sem remorsos...

Ps - Em tempos alguém me disse que quando sentisse um aperto no estomago... Devia de ir comer porque era fome.
Tenho de atacar o frigorifico imediatamente...

Arte

Ela faz... Arte
Vocaliza as imagens que almeja
Exprime o que deseja, faz o que quer
Solta-se... E é unica
Absolutamente ela!
Choca mais de meio mundo
E é incompreendida por ele todo
Só quer apoio no fim de tudo,
Mas enterram-na pequena
Neste mundo graudo.
Então ela...
Explode,
Grita,
Mexe,
Faz,
Renasce!
Acontece!
Dos que dela se esqueceram agora se esquece
A sua própria loucura ela enaltece
Olha para o mesmo mundo com outra visão.
Não vê viv'alma...
...
Está sozinha,
Assim sempre esteve o seu coração
Desiludida,
Volta a sonhar
Que tudo seria perfeito se...
O mundo fosse como a arte que ela consegue criar!

Mudança

Lá no fundo, no fundo... O que sinto é menos que nada.

Dou por mim próprio a pensar no ser vazio que consigo ser e que ultimamente tenho sido.
Sinto a falta de mudar a própria mudança, de ter novas oportunidas de sentir e ver o mundo e fazer dele meu, partir em busca de novas caras e destinos, conhecer novas conquistas que estiveram à espera que eu as achasse tal como muitas outras que achei antes... Mas simplesmente a "vida" abana-me um pouco e acabo por acordar dessa fantasia toda.
Acho que me vou resignando ao tédio, à rotina que se impõe sobre mim e me quer dominar gradualmente e ao rumo dos acontecimentos. Para ser sincero, nem sei bem... Mas acho que sim. No fim apenas me consigo rebelar através dos meus pensamentos e da minha mentalidade (que como o meu intimo me dá um gozo desgraçado) pois esses eu ainda consigo modelar e formar pequenos mundos meus onde disfruto toda a minha pura fantasia. Sim! Num circo onde tudo (ou quase) é uma palhaçada pegada, não há nada melhor do que me sentar no meu confortavel banco na audiência e gozar com a cena!

Só que até tanto gozo cansa...

E cansa. Cansa, porque vai moendo.
Moi, moi, moi... Até que noto que vou mantendo-me "vivo" às custas desse gozo. É ele o que me mantem "eu" por enquanto, é a ele que ainda devo um sorriso e entre tantas outras coisas! Mas no fim tamanha é a tristeza de gozar com a mudança que sofri... Passei a um estado de parcial inactividade, onde me limito a ver o mundo e a goza-lo e acreditem que pouca coisa consegue ser mais infeliz do que isso quando nos damos conta do que estamos realmente a fazer.

Agora só espero que a mudança mude novamente porque não consigo muda-la.

Ela

Tão simples
Crua e cruel…
O mortal toque divino da vida
O fio que se continuamente se desgasta
Até finalmente se quebrar
Cada dia tem um preço
Todos os dias se têm de pagar
Tão divina como o som de um violino
Simples, bela, perfeita
Que vê Paixão e amor dentro da morte e frio
Que regula o tempo, espaço e gente
Que rara é a gente que a aproveita
A vida é…
O arrepio que a mente percorre
A corrida constante
A guerra que decorre
Enquanto faz amor com a paz
A escuridão que tudo assusta
A luz que o Homem satisfaz
Bela?
Presumo que na mocidade
Em que abunda a energia, a vontade
Talvez noutro tempo
Talvez noutra idade
A vida tenha sido mais… Ela
Agora é a resignação
Em que reside o fim de tudo
O ponto morto do graúdo
A rotina do pouco ou quase nada
Até o espírito se soltar
Soar o som da emergência
A necessidade de se fazer emergir
Um novo ser
Que já existia antes de agora o ser
Fazendo subsistir a essência
Pois essa resistiu à idade
E fez com que a vida voltasse a ser apenas
Ela

Formigas

Tantas formigas...

No dia-a-dia é o que mais consigo observar, estão por todo o lado desde que abro os olhos ao acordar até que os fecho às tantas da madrugada.
Correm atrafulhadamente quase que competindo umas com as outras, empurrando-se na pressa de chegar ao destino, formando autênticas multidões de "sem tempo", atulhando a capital todas as manhãs e fins-de-tarde tornando-a num formigueiro autêntico. Apenas correndo cabisbaixas ao mesmo ritmo que a vida passa por elas, fazendo por cumprir as suas obrigações... Guiadas por nada mais do que o seu instinto e o "dever".
As criadoras do conceito de "stress" sobrevivem à custa do mesmo frenezim que lentamente lhes estoura a sanidade, pois tanto as preenche que fez com que abdicassem de sentimentos... Logo não sentem a dor de nada poderem sentir. Deve ser algo de tenebroso! Será? Nem elas sabem...
As formigas nascem por volta das 8.00h e adormecem às 16.00. é por volta dessa hora que o ser humano volta a si.

Ser humano...

Que de humano pouco tem. Vendo bem... Ainda menos que isso.
Como se pode esperar algo de humano de uma "pessoa" que recebe de braços abertos uma fracção do seu instinto animal para poder sobreviver a 8 horas de formigueiro? Pois... É algo confuso. Mesmo assim, insisto em chamar-lhes humanos.
Assim que acaba toda a correria, despem-se as fantasias e cada um volta a ser o que era. Talvez um adolescente a gozar os seus dias de acne em frente ao espelho, uma mãe de família atrasada mas desta vez para preparar o jantar, um amigo que tem encontro marcado com o grupo no bar 3 ruas à frente de casa ou apenas um solitário que vai descansar o resto do dia na sua cama.
Despem-se as "fantasias" e de seguida são penduradas na bengaleira, juntamente com os guarda-chuva e perto das malas para, na manhã seguinte, estarem "mais à mão" quando forem vestidas juntamente com a gabardine à ida para o formigueiro.

Dias

Afirmo! Estou num daqueles dias!

Que dias? Pois...
Há aqueles dias em que por muito que a mente tente, o corpo não consegue e a alma fica frustrada. Vocês percebem, aqueles dias!
Os dias em que simplesmente falta quele "Algo" com que acordamos normalmente e nos incentiva a concretizar tudo o que sonhamos há pouco, em que nos sentimos moles e desmotivados, com aquela indisposição mental para tudo o que seja...

E aí procuramos o "Algo".

Nada mais erroneo do que tentar procurar o algo. É uma missão destinada ao falhanço. O Algo não se encontra, o Algo não se cria, o Algo já existe mas por vezes não está "lá" e hoje o meu Algo não está comigo.
Posso tentar dedicar-me a fazer o que serviria de complemento ao Algo e que me faria sentir bem, mas está sempre a faltar-me a adrenalina... O gosto e a diversão de o fazer. Não me sinto bem com isso. A coisa não é a mesma sem o meu Algo.

Sim! Porra! Falta-me o Algo, falta-me a essência!
Mas e onde está ela? Ninguém me diz? Merda quero respostas! Dou em doido com esta falta de mim! Ahhhrg! Não não não não NÃO!
Quero-te, desejo-me, quero-me rever em mim próprio outra e outra vez! Quero dar vida à minha vida enquanto eu estou vivo! Sinto-me um zombie por me tocar no rosto e nos braços de desespero e sentir apenas carne fria e não um arrepio pela pele. Sinto um corpo sem uma pessoa lá dentro... Não me sinto a mim próprio!

Mas nada resulta...

E no fim da loucura... Apenas o silêncio da tristeza. Porque por muito que não goste, rendo-me à minha condição e admito que hoje estou condenado a ter um daqueles dias em que a mente tenta e o corpo não consegue até ao resto do dia.

Só que já estou frustrado...

Um

Somos dois num só ser
Dementes, doentes…
Quando (supostamente) se tem de morrer
Nós (simplesmente) vivemos…
Não digas palavra,
Eu te conheço!
Tão bem como me conheces a mim.
Vi-te nascer, fizeste-me “morrer”
Mas agora…
Estou aqui.
Sou a parte oculta que há em Ti…
Durmo quando acordas
E quando partes, chego!
Fazes, porque não te cansas de viver
Mas eu penso, porque precisas de sofrer
Existo apenas por ser…
O anticristo da tua parte de mim
Quem te mantém fiel às nossas normas
Quem escreve a ultima frase do teu livro
Quem me vigia… até ao fim!

Não temos nada em comum….
… A não ser, sermos apenas um!

Nosso

Os sentimentos saltam
O chão estremeçe na longa caminhada
Gemendo...
Empurrando lágrimas...
Chega o fim do tunel!
Sem que seja visivel
Transforma-se!
Num novo ser,
Renascido na sombra,
Renascido na vitória
De alguém!
O sol queima-lhe a vista,
Que tremula de escuridão
Luta pelo começo...
O regresso adiado
Chega finalmente
A hora
De vencer!
Seguir!
Gritar!
Acreditar!
No esforço, de sair da derrota
Progride!
Consegue...
No fim de tudo
Só ela lá está,
acolhe-o e
Perdem-se num abraço
O tempo escorre-lhes por entre os dedos
Frios...
Secos já das lágrimas!
Dão as mãos e seguem
Unidos,
Firmes de si.
Ele - Um pedaço de tudo,
Ela - Ainda sente dor.
Lembram-se que estão vivos
Todo o que estava longe
E ao mesmo tempo inalcançavel
É agora o objectivo!
Seus olhos espelhados de esperança
Conseguem ver o medo interior de cada um...
Eles correm e soltam
A liberdade
E livres,
Livres...
Ele - Vive um dia com a mesma intensidade do ultimo
Ela - Sonha que um dia será feliz
Mas juntos...
Completam-se!
Como terra e ar,
Mar e fogo...
Eles são!

Em ela ele reside

Naquela vida de sonho, que alguem um dia edificou ele nela residia.
Ele encantado por ela estava, nela ele se encontrava... E por todos os seus encantos ele se perdia...
Ele era o miseravel espelho de felicidade que todos pensamos em realidade não existir, pois a ela bastava um esbracejar para ele por amor sorrir.
Naquele traje preto, naquele solene momento. Ele por ela aguardava, pois por ama-la ele nem sequer na hipotese de hesitar pensava. Fazia-se luz na cara dele cada segundo em que a branca pele dela luzia. Era amor? Não, pura poesia... Aquele aperto que nos folga a alma, nos sufoca o peito apressadamente nos passos da calma em que o contacto do beijo decorria...
Tão avassaladoramente suave que o momento era, de uma força tremenda, uma nojeira horrenda para olhos como os meus... Que não sou capaz de edificar uma silhueta feminina ao patamar de Deus. Demasiadas as lutas e escassas as vitorias, tiraram por completo a moral e de mim fizeram um mural de lamentos proprios.
Só que não é sobre mim que a lenda narra! Mas sim de um alguem que ao luxo, má vida e à farra se negou... O lado bohemio da vida renegou, a ama-la se exortou e a ela se entregou... De forma, louca, desmesurada. Pois desmesuradamente ela o agrada e o encanta... Talvez o iluda, mas tamanha é a loucura, enorme é a febre que por ela lhe arde no peito... Que ele dela ganhou o céu... O coração que ela chamava de seu e que por fim lho entregou.
Ela deixou de ser a musa que tudo iludia com um encanto de um pequeno toque, cessou a sua mistica envolvente, pois abriu o seu corpo e alma à potência que ele lhe tinha para lhe entregar. Doou-se e doaram-se ao amor. Ele a ela se entregou, ela a ele o amou. O sentimento os unificou
E em ela ele agora reside...

Apenas mais um

Sou apenas mais um...
Do que me vale referir a singularidade para tentar por-me de parte do resto do mundo quando toda a gente o faz e no fim somos um todo? Podia estar aqui a divagar infinitamente sobre a relatividade da nossa singularidade multipessoal e da forma de como cada um é especial à sua maneira, embora sempre inspirado em alguem que também era (pelo menos em parte) assim e pseudo-distinguir-me tal como me afirmar como supostamente inferior... Mas basicamente não sou nenhuma merda dessas.

Aquilo que vejo é o que pode talvez distinguir-me de um ou outro individuo, porque sinceramente não me acho tão especial que seja completa e definitivamente unico num planeta com biliões de pessoas... Mas passando à minha introdutoria divagação, o que posso ter de realmente peculiar é o que vejo...

E o que vejo?

No fundo vejo-me a mim proprio sem cinismos. Considero-me um ser capaz de se auto-avaliar (grande novidade) e que aprendeu a conviver consigo proprio e a aceitar as suas proprias ideias por muito que estas possam chocar com padrões, normas e dogmas já establecidos dezenas de anos antes sequer do meu tetra-quadra-avô saltar de um testiculo para o outro... O que normalmente resulta em que as pessoas me chamem estupido.
Mas no fundo de tanta estupidez, acredito que as pessoas num ponto me dão razão... Essencialmente no ponto em que eu afirmo que fui correcto no que disse ou no que fiz, independentemente da forma como concretizei a minha acção e que me opus a algo sem fundamentos...

Esse algo sem fundamentos...

É o que me rodeia a todo o momento, coisas que são respeitadas porque alguém diz que devem ser respeitadas, coisas sagradas porque alguém acredita nelas e as "atira" completamente para cima de mim, gente que se presume inteligente mas quando chega a hora da verdade consegue concretizar as maiores bacoradas da historia, pseudo-moralistas e conservadores que após uma noite de farra roçam-se e enroscam-se com o estranho mais bem-parecido que lhes aparece à frente... Uma hipocrisia bem disfarçada e bonita para "Inglês ver" à qual eu me oponho. Não às pessoas.
Sim porque essas são livres de fazerem o que querem (ai que bonito uma noção de liberdade e um direito inalienavel do ser humano, yay) desde que não interfiram com a liberdade dos outros. Que me importa que uma rapariga que condena outra por olhar para um ou outro vá foder com o gajo da esquina? Que me importa que um jovem perfeitamente saudavel se agarre ao cavalo? Que me importa se na Praça de Espanha vai haver uma manifestação de gays nus? Nada... Desde que não me metam em problemas.

Agora se me perguntarem se concordo com alguma dessas coisas, obrigam-me imediatamente a responder com uma negação. Claro que as vozes da hipocrisia me iriam chamar retrogrado, homofobico e tantos outros palavrões do seculo XXI para "oprimir" quem não é a favor de todas essas coisas, mas eu no fim do dia tenho de me sentir bem comigo mesmo e não com o resto do mundo. Não é ele que me faz sentir feliz, não é ele que me cura as doenças... Sou eu.

Logo. a unica coisa que me distingue da hipocrisia do ser humano é a minha Insana e Insensata forma de "ver", porque não "vejo" o que "fica bem na fotografia", mas sim a minha propria forma de "ver".

Not bad for a 1st experience huh?